Opinião

O Rapaz do Pijama às Riscas, John Boyne

É o livro mais devastador que alguma vez li. E eu já tinha lido o “A Sangue Frio” do Capote (daqui a uns tempos escrevo sobre este, que aconselho desde já). Chorei até adormecer, mais (bem mais) do que chorei a Hedwig, o Dobby e o Fred (personagens da saga Harry Potter). Toda a gente deveria ler este livro. Pelo menos uma vez na vida.

Este livro narra uma história de amizade entre o filho de um general nazi e o filho de um judeu. Por isso demorei anos a comprá-lo, meses a reunir coragem para o ler, e semanas para o acabar. Fui lendo, sempre a medo. É pequenino, lia-se numa tarde chuvosa à lareira (eu li durante o inverno, mas também serve uma tarde de praia), mas não consegui. Talvez eu seja hipersensível, mas mesmo tendo ideia de como o livro ia terminar – mal, claro está, porque nenhuma história sobre a segunda guerra mundial podia ter um final feliz propriamente dito – tinha medo de lá chegar.

A história centra-se em Bruno, o filho de um militar alemão, que vive em Berlim mas, devido à promoção do pai, tem que se mudar para longe de Berlim. Bruno não fica propriamente feliz com a mudança, especialmente porque na nova casa não há amigos, só um entra e sai de soldados às ordens do pai. Mas Bruno tem uma mente curiosa, e mesmo quando é proibido de se aproximar da vedação para lá da qual estão todas aquelas pessoas de pijama – que o pai lhe diz não serem pessoas – acaba por conhecer um rapaz.

Sempre com a vedação pelo meio, o rapaz do pijama às riscas rapidamente se torna o melhor amigo de Bruno, a quem leva comida às escondidas. Afinal, tinham tanta lá em casa, porque é que o amigo tinha que passar fome? A amizade fortalece-se dia após dia, até que o amigo lhe pede ajuda. Um amigo é mesmo para isso, ajudar, e Bruno era um bom amigo. Mas não era suposto existir esta amizade, tanto que é sempre mantida em segredo. Até que a tragédia acontece.

Esta é verdadeiramente “uma história de inocência num mundo de ignorância”, como se lê na capa. Não consigo escrever muito mais. Ainda me dói a alma.

Nota só para acrescentar que este é livro integra o Plano Nacional de Leitura, recomendado para o 3º ciclo.

2 Comentários

  • Inês Lobo
    2018-03-08 Responder

    O menino do pijama às riscas já li e recomendo a leitura.

    Maria Paula
    2018-03-09

    Quero muito ler o outro dele, "O Rapaz no Cimo da Montanha" :)

  • Cátia Veloso
    2018-03-13 Responder

    Vi o filme antes de ler o livro. Não aguentei, quando vi a oportunidade. Devoro tudo o que seja relacionado com a 2.ª Guerra Mundial, numa vontade esfomeada de perceber (e ainda não consegui) como é possível o ser humano ter uma conduta tão diabólica como aqueles que operaram esta chacina... tenho muito medo que isto volte a acontecer. Mas quando à história, sim, é um murro no estômago que nos deixa sem fôlego para sempre. Quem a lê (ou vê) não poderá, nunca mais, ver o mundo da mesma forma. Também cometi o sacrilégio de ver o filme d' A Rapariga que Roubava Livros antes de ler o livro e aconselho vivamente. Se o filme é esplêndido, acredito que o livro seja ainda melhor. Quanto a testemunhos reais, sugiro a leitura das obras de Primo Levi, ele um sobrevivente do holocausto, tem o dom da escrita e arrebata-nos com a descrição do inferno vivido pelas vítimas.

    Maria Paula
    2018-03-15

    Tenho todos esses livros na minha lista de desejos :) Acredito que nunca consigamos perceber as atrocidades que ocorreram... acho que quanto mais leio sobre o assunto, menos entendo :'( Esperemos que nunca se repita, pese embora, julgando pelo que se vê na Síria, na Palestina e afins, não tenho a certeza de que tenhamos aprendido alguma coisa com a II Guerra Mundial. Infelizmente.

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