Opinião

Reaccionário com dois cês, Ricardo Araújo Pereira

Disclaimer: eu sou mega fã de Ricardo Araújo Pereira.

O humorista, que foi um dos fundadores do quarteto “Gato Fedorento” é um dos mais conceituados a nível nacional. E não é para menos, dada a capacidade inequívoca de RAP para fazer nos fazer rir, seja através na televisão, na rádio, ou na imprensa.

Este livro é uma colectânea de crónicas que Araújo Pereira publicou na revista Visão (onde tem um espaço próprio) e está dividido em quatro partes, por temas: Comente o Seguinte País; Admirável Facebook Novo; Então mas o Que é isto?; e Assim Como Nós Não Perdoamos a Quem nos Tenha Ofendido.

Apesar de alguns textos já serem mais antigos, todos eles abordam temas que nos são familiares e com os quais nos identificamos. Fiel ao seu estilo, inteligente e sarcástico, Ricardo Araújo Pereira convida-nos a reflectir desde cenas corriqueiras do dia-a-dia, até grandes acontecimentos de política internacional. Por vezes tudo no mesmo texto. Mas a forma como estabelece relações entre as coisas, e troca por miúdos temas intrincados como a Concordata e o IMI, faz-nos rir e perceber que por muitas peripécias que vivamos, este será sempre o nosso “Querido Portugal”, que é o título do texto que introduz a obra. Há textos que nos fazem rir só pelo título, e Ricardo Araújo Pereira é pródigo no exercício de intitular as suas crónicas. A sério, peguem no livro e leiam o índice e vão perceber o que eu digo. Creio que a grande vantagem do Ricardo, como já disse gostar de ser tratado, é que apesar de dominar a língua como poucos, consegue ter sempre um discurso fluido e simples, que qualquer pessoa acompanha e entende.

A obra termina com uma Auto-entrevista, numa conversa com ele mesmo em oito perguntas, que demonstra que o que faz de Araújo Pereira um grande humorista é a sua tremenda capacidade de se rir de si próprio. Transcrevo apenas a última pergunta e resposta dessa auto-entrevista, para que vos abra o apetite de ler a obra:

«O que levaria para uma ilha habitada?

Um tigre, porque prefiro ilhas desertas.»

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