Opinião

A minha vida (im)perfeita, Sophie Kinsella

Eu sou fã dos romances da Sophie Kinsella. Já aqui tinha escrito sobre o “És capaz de guardar um segredo?”, e ainda vou escrever sobre a série “Louca por Compras” e os outros romances dela que já li. Para já falo do que foi editado mais recentemente em português, e que nos traz novamente uma protagonista “à Kinsella”.

A premissa do romance é “Um dia a minha vida há de ser tão fantástica como o meu Instagram”. Quando li isto (está na capa) até achei que o Instagram iria ter uma preponderância maior no romance, mas na realidade acaba por ser um detalhe de fundo que contextualiza toda a trama.

Katie Brenner é uma rapariga de 20 e muitos que sempre quis viver em Londres, ter uma vida de glamour, um trabalho super interessante, e amigos bonitos. Ou seja, Katie, ou Caz – o seu alter-ego londrino – é como qualquer um de nós. Só que as coisas não correm bem, e, quando Katie se vê obrigada a voltar às origens, Demeter, a ex-chefe que tem a vida perfeita, aparece no empreendimento turístico da família e a jovem não vai perder a oportunidade de se vingar.

Só que, tal como o feed do Instagram, a aparente perfeição da vida de Demeter não passa disso mesmo: aparente. Com filtros. O desenrolar dos eventos é hilariante, e, tal como Katie, também nós vamos sendo confrontados com os filtros que auto impomos na nossa vida para que os outros possam ver o quão incríveis são os nossos dias. Mas… são mesmo? Não, não são. E quando aceitamos que há dias bons e maus, a vida melhora, e percebemos que há espaço para os sonhos, para a família, para o amor, e para a felicidade real. Sim, porque não pensem que falta um cavaleiro andante neste romance, curiosamente, bem ao estilo de Jack Harper (o protagonista masculino de “És capaz de guardar um segredo?”). Aliás, Alex Astalis serve não só para trazer romance ao enredo, mas também para nos dar uma perspectiva de que a vida que idealizamos como fabulosa talvez não seja assim tanto. Dinheiro não compra felicidade, mantenham isto em mente!

Como de costume, Sophie Kinsella consegue divertir-nos e oferecer-nos importantes ensinamentos e lições através de personagens super credíveis e uma história muito bem montada, cujo final surpreende em vários aspectos.

A cadência da história é a do costume: a bom ritmo, sem descurar os detalhes importantes para o desenrolar da trama. Mas, se tiverem um bom nível de inglês, comprem a versão original. A tradução deste livro é horrível! Tenho lido várias críticas à tradução incluir passagens que estão claramente em português do Brasil. Também não sou fã, mas foi o que menos me incomodou. A pessoa que traduziu o livro – Maria Ponce de Leão – claramente nunca leu um livro da autora, por isso não entende o ritmo. Quebra-o de forma absolutamente desnecessária porque não compreende a linguagem. Como sabemos, a autora tende a escrever de forma a que a personagem principal como que fala connosco, falando com ela própria. O que vão ver neste livro é Katie a falar com vocês como quem fala com o gerente de um banco aquando um pedido de crédito para comprar uma casa. Vou transcrever um exemplo, da página 15: “Mas veja bem: não sou invejosa.” Percebem a ideia? Vão perceber quando lerem, porque apesar disto, recomendo mesmo que leiam o livro quando quiserem um romance divertido. Mas reforço: quem estiver à vontade com o inglês é melhor optar pela versão original.

1 Comentário

  • Inês Lobo
    2018-07-10 Responder

    Quero ler.....os livros dela são divertidos.

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