Opinião

A Lua de Joana, Maria Teresa Maia Gonzalez

Sempre achei que existem livros que são para a vida. Este é um deles. Li, chorei e sempre o recomendarei. Só tenho pena de ainda não existir uma tradução em francês para o recomendar por estes lados.

Este livro foi lançado em 1994 e é incrível como toda a história é tão actual. Já referi que chorei?! A escritora conseguiu tocar em pontos tabu e sensíveis a todas as gerações. E perguntam vocês: em que consiste a história? Numa só palavra: toxicodependência.

Uma adolescente numa fase difícil da vida perde a melhor amiga para as drogas. Uma morte trágica por overdose. A não aceitação desta perda leva a que escreva cartas para esta sua grande amiga, uma espécie de relato do que vai acontecendo na vida dela.

Quando li o livro fiquei com a ideia de que estas cartas serviam para diminuir a solidão que ela sentia quando estava em casa, agravada por esta grande perda. Um pai ausente, uma mãe focada no irmão e nos problemas dele, um amigo que entra no mundo das drogas… tudo aponta para uma grande perturbação na vida dela.

As drogas são uma constante na vida de Joana. Algo que ela não compreende e que a vai mudar. Quando ela tenta ajudar o amigo a livrar-se das drogas é quando ela experimenta e nunca mais consegue sair deste vício. Mais não conto, têm de ler! Mas preparem a alma, o coração e os lenços de papel, pois se forem pais, vão olhar para os vossos filhos de outra forma, e se forem filhos vão ver o mundo e a preocupação dos vossos pais com outros olhos.

Esta história, de leitura fácil e muito acessível, é uma lição de vida, um estalo na cara de quem se identifica com esta situação. Para mim foi o acordar para uma realidade que desconhecia. Tive a sorte de crescer numa terra em que a toxicodependência era associada aos mais velhos, aqueles que nasceram nos anos 60. Inocente, rapidamente percebi a sorte que tinha e fiquei revoltada com as vidas que a droga podia arruinar.

Mais uma vez: leiam este livro, vão ver que vale cada minuto que lhe dedicarem!

Só uma pequena nota: este livro faz parte do Plano Nacional de Leitura e é recomendado para o terceiro ciclo.

3 Comentários

  • Inês Lobo
    2018-03-17 Responder

    Também já li e recomendo a leitura principalmente para os jovens.....

    Maria Paula
    2018-03-18

    É um livro infanto-juvenil, mas creio que também é muito útil para pais. Porque às vezes é difícil compreender o que se passa na vida dos filhos, e neste livro vê-se isso muito bem: os sinais de alerta estavam todos lá.

  • Isabel Velho Ferreira
    2018-03-19 Responder

    Este foi, possivelmente, o livro que me abriu as portas para a leitura! Foi-me sugerido por uma professora para dele fazer uma ficha de leitura e fiquei colada na história. Adoro ler, mas tenho um grande defeito: rapidamente me esqueço das histórias. No entanto, este ficou-me marcado na memória. Ainda hoje me lembro do choque quando cheguei ao fim do livro... Sem dúvida, uma excelente sugestão. Continuem com o trabalho fantástico e boa sorte para o blog :) <3

  • Rita
    2018-03-21 Responder

    A primeira vez que li este livro tinha 14 anos, foi-me oferecido pelo meu avô.. a partir daí reli-o todos os anos até por volta dos meus 25 anos. É um dos livros que mais gostei até hoje. Agora com 30 acho que o vou tirar da prateleira :)

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