Opinião

A Rapariga no Comboio, Paula Hawkins

A Rapariga no Comboio é um super fenómeno mundial. Paula Hawkins conseguiu a proeza de, ao primeiríssimo livro, tornar-se em autora best seller. Em 3 meses foram vendidos mais de 2 MILHÕES (!!!) de exemplares em todo o mundo. A Dreamworks não tardou a comprar os direitos e o filme também foi um sucesso no cinema.

Eu prefiro quase sempre ler o livro antes de ver o filme, e, neste caso, face à unanimidade de opiniões acerca de quão incrível era a obra, não podia ser diferente. E o meu namorado lá esperou, pacientemente, que eu lesse. Plot twist: Ainda não vimos o filme. Mas o livro? Excelente, sem dúvida!

Confesso que, nas primeiras páginas, me parecia tudo muito estranho. Mas ao mesmo tempo identifiquei-me logo com a personagem principal. Vamos convir, quem é que nunca imaginou a vida dos ilustres desconhecidos com que se cruza nos espaços públicos? Ainda por cima eu, que adoro andar de comboio!

A história é narrada em três perspectivas diferentes, de três mulheres, que se interligam num enredo que, tal como à Reese Whitherspoon, me manteve acordada a noite inteira. Por vezes as constantes analepses e prolepses podem exigir que esfreguemos os olhos, mas vale bem a pena! Os capítulos vão se sucedendo, passando da perspectiva de uma personagem para a outra, de uma forma que foi pensada para nos prender a atenção e não nos deixar dormir até o caso estar resolvido.

O enredo desenrola-se à volta de um crime, sobre o qual Rachel – a personagem principal, e o principal fio condutor da história – acredita ter informações relevantes. Mas os seus problemas pessoais atrapalham a sua conduta, e descredibilizam-na enquanto testemunha. À medida que Rachel se vai empenhando na resolução, os capítulos contados na perspectiva das outras duas mulheres, Anna e Megan, ajudam a dar contexto a todo o enredo. A distribuição dos capítulos está magistralmente concebido, e mesmo quando adivinhamos o que se vai passar a seguir, a intensidade que a autora coloca nas personagens surpreende-nos e envolve-nos, de tal forma que não há como não nos sentirmos embriagados de emoções (quando lerem o livro vão entender que há aqui uma ligeira piada). Contudo, há que dizê-lo: achei a identificação do criminoso muito denunciada. Percebo que não fosse fácil desenvolver esse eixo da narrativa sem ter que revelar a verdadeira identidade precocemente, a personagem é nos apresentada de forma misteriosa e só mesmo no final do livro sabemos exatamente quem é, mas creio que poderia ter dado outra arranjo, e até eventualmente cortar [ou adensar] o capítulo onde o leitor deslinda o caso (um leitor de romances policiais, pelo menos). Independentemente disso, a forma como a identidade da personagem é revelada, e o contexto que permite dar a todo o enredo, são sem dúvida nenhuma de uma intensidade brutal!

Esta versão romanceada de uma história que podia muito bem ter acontecido mostra-nos que há muito mais nas outras pessoas do que aquilo que sabemos e imaginamos. Um thriller de um caso de polícia que também nos alerta para a necessidade de desligar do mundo virtual e olhar mais à volta. Não só para nos proteger de eventuais perigos, mas também para podermos ajudar quem precisa. E, claro está, para apreciar a paisagem no comboio.

3 Comentários

  • Inês Lobo
    2018-03-08 Responder

    Tenh aqui a rapariga do comboio para ler...mas tive uma colega que ja leu e diz que não gostou...quando ler dou a minha opinião

    Maria Paula
    2018-03-09

    Quem não é fã de thrillers provavelmente não gosta... eu gostei. Apesar de, como escrevi, o desfecho ser denunciado.

  • Cátia Veloso
    2018-03-09 Responder

    Li esse livro numa altura sensível da minha vida, numa cama de hospital. O livro, emprestado pelo meu irmão lá estava em cima da mesinha e, passados uns dias, quando uma enfermeira o viu, entusiasmou-se: "A Cátia já o leu??? Ainda não? Como é que é possível? Eu amei esse livro. Toca a lê-lo rápido que quero falar dele consigo". Deu-se o click. Li-o numa penada. Gostei muito apesar de o considerar um pouco previsível, mas a forma como a história é contada é muito boa. Entre o livro e o filme... mil vezes o livro :)

    Maria Paula
    2018-03-09

    Espero que já estejas totalmente recuperada, Cátia! Pois, eu concordo. É denunciado. Mas é bastante envolvente, por isso também o li de uma assentada. Beijinhos

  • Isabel Velho Ferreira
    2018-03-19 Responder

    Li durante as férias de verão em Cangas. Adorei! Até porque, de certa forma, me revia na rapariga (devido às viagens que todos os dias fazia de comboio de Braga ao Porto e vice-versa). Acho que, para quem utiliza muito este tipo de transporte, é inevitável não pensar de como será a vida da pessoa que se senta à nossa frente, principalmente se for alguém com quem nos cruzamos com alguma regularidade. As vossas opiniões dão-me vontade de ler os livros todos!! Parabéns pelo blog <3

Deixe o seu comentário

.